sexta-feira, 7 de maio de 2010

Os alimentos trangênicos.


Dra. Wustania Virgínia C. Passos
Nutricionista - CRN/6ª R:3712

1. INTRODUÇÃO

O intenso avanço da pesquisa biotecnológica provoca hoje uma crescente mobilização da sociedade e entidades de classe em torno dos alimentos Transgênicos ou seja organismos geneticamente modificados (OGM). Grande têm sido as controvérsias sobre esse assunto, onde companhias, governos, ambientalistas e pesquisadores ainda não chegaram a resultados conclusivos sobre os transgênicos.


Há, no entanto, muitas discussões em torno da produção de alimentos transgênicos. Existe um temor de que esses alimentos possam interferir na genética humana causando malefícios à saúde das pessoas.

Neste contexto, o termo “Alimento Seguro” x “Segurança Alimentar”, assumem papel de extrema relevância quando falamos de Alimentos geneticamente modificados.

Alimento seguro (food Safety) significa garantia do consumo alimentar seguro no âmbito da saúde coletiva, ou seja, são produtos livres de contaminantes de natureza química (agroquímicos), biológicas (organismos patogênicos), física ou de outras substâncias que possam colocar em risco sua saúde. Já o termo Segurança Alimentar (food Security)  é a garantia de acesso ao consumo de alimentos e abrange todo o conjunto de necessidades para a obtenção de uma nutrição adequada à saúde.

No âmbito internacional, a segurança Alimentar é preconizada por organismos e entidades como a Organização para Agricultura e Alimentos (FAO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), e no âmbito Nacional, O Ministério da Saúde (MS), da Agricultura e Abastecimento (MA) e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) são os órgãos responsáveis.

Talvez em nenhum outro momento o mundo científico tenha assistido tantas controvérsias, como as que estão ocorrendo na atualidade sobre a manipulação de genes, curas cromossômicas, plantas e animais produzidos através da biotecnologia. No momento, os cientistas anunciam a engenharia genética e a biotecnologia como uma nova revolução, configurando-se como uma das maiores conquistas científicas da humanidade.

Visando um abordagem sistemática com ênfase na Biossegurança e Biotecnologia Alimentar, o presente artigo relata os possíveis problemas e as possíveis soluções que muitas vezes nos perguntamos quando o assunto é transgênicos.

2. ALIMENTOS TRANSGÊNICOS

Transgênicos são organismos geneticamente modificados, obtidos mediante técnicas de DNA recombinante e de transformação genética, que permitem introduzir, em espécies vegetais e animais, genes originários de um outro organismo.
Disso resulta uma nova variedade genética.

A técnica do DNA recombinante ou engenharia genética surgiu nos anos 90 e permite o isolamento e a manipulação de genes e sua transferência de um organismo para o outro. É o que dá origem a um organismo transgênico ou geneticamente modificado. Um detalhe importante: esses genes manipulados podem ser derivados de organismos que até agora não foram usados na alimentação como, por exemplo, componentes da petúnia ou de escorpiões.

As culturas transgênicas de alimentos autorizados para a comercialização são inúmeras. O mundo se encontra na era do supermercado transgênico, alimentos com os genes modificados chegam à mesa dos consumidores, como a cenoura mais doce e contendo doses extras de beta-caroteno, o arroz com mais proteínas, a batata com retardo de escurecimento, o melão com maior resistência a doenças, o milho resistente a pragas, a soja com genes de castanha-do-pará que aumenta seu valor nutritivo, o tomate longa vida, tendo sido o primeiro alimento transgênicos a ser comercializado e a ervilha com genes que permitem sua conservação por mais tempo.

A escolha destes alimentos por parte do consumidor deve ser criteriosa, pois toda nova tecnologia apresenta riscos, e antes de difundirem os novos alimentos em ampla escala é melhor que a ciência possa dizer com certeza suficiente quais serão as conseqüências da utilização de alimentos transgênicos a médio ou longo prazo.

COLOMBO (1999) afirma que não há vantagens para o consumidor, apenas o produtor tem vantagens econômicas com os OGM. Segundo NEVES et al. (2000), o consumidor deve decidir se irá utilizar produtos oriundos ou não da biotecnologia.

Com relação a rotulagem é imprescindível que os alimentos transgênicos, possuam rótulos com informações ao consumidor, com a identificação dos componentes contidos nos alimentos, à semelhança do que já existe no Brasil em termos de legislação específica. A rotulagem, além de fornecer segurança ao consumidor pelas informações que contém, possibilita também uma diferenciação de marketing de um produto / marca para outro, favorecendo e aprimorando a concorrência entre produtores.

3. BIOTECNOLOGIA ALIMENTAR

Os avanços da biotecnologia e da engenharia genética estão nos confrontando como sociedade, pesquisadores, cientistas e profissionais de saúde. O aumento da produtividade, a maior resistência às doenças e as pragas, o decréscimo no tempo necessário para produzir e distribuir novos cultivares de plantas, provavelmente com produção de novos organismos vegetais e animais, são alguns ícones que a biotecnologia e a engenharia genética estão criando.

Contudo alguns questionamentos são levantados e postos em discussão. De que modo se utilizará a biotecnologia? Quais são os problemas que procura resolver e quem se beneficiará da tecnologia? Quais são as conseqüências ambientais para a saúde pública? São perguntas que ainda não chegamos a elucidar claramente.

Uma das grandes vantagens preconizadas pela biotecnologia seria o aumento da produção de alimentos, com o objetivo de erradicar a fome no mundo. Sabemos no entanto que o aumento da produção de alimentos por si só não possibilita a segurança alimentar e nutricional da população, pois o problema da fome não está na disponibilidade alimentar global, mas sim na pobreza de uma grande parte da população. A luta contra a forme não se reduz ao aumento da oferta de alimentos, mas em fornecer condições à população para adquirir ou autoproduzir o seu sustento, o que remete ao emprego gerador de renda, ao autoemprego e à reforma agrária.

Segundo CAVALL (2001), a biotecnologia através dos alimentos transgênicos, poderá acarretar uma série de riscos que estão sendo levantados e questionados quando se está em jogo a saúde da população, como o aumento das alergias alimentares, resistência aos antibióticos, aumento das substâncias tóxicas e dos resíduos nos alimentos.

4. BIOSSEGURANÇA ALIMENTAR

A FAO considera biossegurança a correlação do uso sadio e sustentável do meio ambiente, dos produtos biotecnológicos e as intercorrências para a saúde da população: biodiversidade e sustentabilidade ambiental, com vistas a segurança alimentar global.

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, afirma que “a biotecnologia colocará o Brasil em condições de competir em pé de igualdade com as nações mais desenvolvidas, melhorando em qualidade e quantidade a produção de alimentos, permitindo o desenvolvimento de novos medicamentos, vacinas e insumos e trazendo melhorias na qualidade de vida do cidadão.” (Comissão Técnica..., 1999)

Já o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, ambientalistas, ecologistas e correntes contrárias aos organismos geneticamente modificados (OGM), salienta os riscos dos alimentos transgênicos, para a saúde da população e para o meio ambiente. Pode ocorrer o aumento das alergias com o consumo de OGM, pois novos compostos são formados no novo organismo, como proteínas e aminoácidos que ingeridos poderão ocasionar processos alérgicos; aumento de resistência aos antibióticos, pois são inseridos nos alimentos transgênicos genes que podem ser bactérias usadas na produção de antibióticos. Com o consumo pela população desses alimentos, poderá ocorrer resistência a esses medicamentos, reduzindo ou anulando a eficácia dos mesmos. Pode ser desencadeado também, um aumento das substâncias tóxicas quando o gene de uma planta ou de um microorganismo for utilizado em um alimento, e é possível que o nível dessas toxinas aumente inadvertidamente, causando mal as pessoas, aos insetos benéficos e aos animais, citando o que já foi constatado com o milho transgênico, levando a Áustria a proibir o seu plantio.

Diante do exposto contraditório das duas correntes científicas, fica evidente que, se os consumidores não tem confiança em comprar alimentos transgênicos, não se cria mercado. E nenhum agricultor quer cultivar algo que não consegue vender.

5. BIOÉTICA

O Brasil é considerado um país de elevada biodiversidade e com ecossistemas diferentes e bem pouco estudados, como é o caso da Amazônia, a Mata Atlântica, o Pantanal e etc. Para se conhecerem os impactos dos avanços da biotecnologia sobre a biodiversidade, é necessário fazermos uma reflexão: “Será que possuímos recursos éticos para utilizar sábia e humanamente, o poder genético”? Esta talvez seja a questão mais importante quando falamos de bioética.

Frente a isto, há duas incômodas questões: a primeira é a de que, como aprendizes, poderemos sofrer as conseqüências de um conhecimento parcial, ao superestimar nossa capacidade de prever e controlar as cadeias causais que se iniciarão a partir da aplicação das novas biotecnologias. A outra questão está no âmbito dos valores que guiam nossas ações. Ou seja, mesmo que tenhamos assegurado total controle sobre as aplicações biotecnológicas, precisamos continuar a nos perguntar, se estamos preparados para fazer frente a todas as implicações que elas podem causar seja em seres humanos ou em ecossistemas complexos como citamos anteriormente.

6. CONCLUSÃO

É notório que a ciência vêm evoluindo de maneira sobrenatural, desde a descoberta das vacinas, e muitas dessas conquistas contribuíram sobremaneira para melhoria da qualidade de vida das pessoas. Estamos em pleno século XXI e não podemos nos opormos aos avanços da Biotecnologia e Engenharia Genética. Porém quando o assunto é transgênicos muitas são as perguntas e poucas são as respostas viáveis e esclarecidas para o consumidor em termos de benefícios desses produtos.

A segurança alimentar pressupõe o direito fundamental de acesso quantitativo e qualitativo de alimentos. Julga-se que não está nos alimentos transgênicos a solução para a erradicação da fome, bem como do oferecimento da segurança alimentar para a população.

Se faz necessário que todos os produtos transgênicos sejam examinados, avaliados e julgados, caso a caso, tendo em vista a sua finalidade benéfica e que, em concordância com a legislação e baseados nos preceitos éticos, morais, sócio-econômicos e de segurança ambiental, venham garantir vantagens ao consumidor e ao processo produtivo, sem que, no entanto, se ponha em risco a vida e sua evolução como processo dinâmico e multivariável.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • SCHOLZE, Simone H.C. Biossegurança e Alimentos transgênicos. Biotecnologia Ciência e Desenvolvimento. Brasília, v.2, n.9, p.32-34, jul-ago, 1999.
  • BAILBY, Edward. Transgênicos enfrentam americanos e europeus. Cadernos do terceiro mundo. São Paulo, n.212, p.68-70, set. 1999.
  • CAVALL, Suzi Barletto. Segurança Alimentar: a abordagem dos Alimentos trangênicos. Revista de Nutrição. Campinas, v.14, n.supl., p.41-46, 2001.
  • NICOSIA, Aurora. Transgênicos Promessas e Riscos. Cidade Nova. São Paulo, v.41, n.11, p.10-12, nov., 1999.
  • SAD, Márcia. Franken food ou Redenção? Rumos. v.25, n.180, p.10-14, 2001.
  • COLOMBO, C. Futuro dos Alimentos transgênicos. Revista Correio Popular. Campinas, n.111, p.5-7, maio, 1999.
  • Comissão Técnica Nacional de Biossegurança. Legislação e documentos. Disponível em: . Acesso em: 15 julho de 1999.

    DADOS DA AUTORA

    Nome:Wustania Virgínia C. Passos
    Profissão: Nutricionista CRN: 3712
    Área Atuante: Hospital  Clínica Média e Produção de Refeições para coletividade enferma e sadia
    Atendimento: Ambulatorial e Policlínica
    Hospital Atuante: Hospital e Maternidade Santa Lúcia Ltda.
    Contatos:
    (0**83) 238-3203 (Resid.)
    241-2554 (Trab.)
    9322-1459 (Cel.)
  • 0 comentários:

    Postar um comentário